Como superar um coração partido- Poema

como superar um coração partido sem tentar
primeiro
não faça nada
torne-se um com seu sofá
comendo pilhas inteiras de oreos como se fossem torres de sentimentos
assista as adaptações de Jane Austen até seus olhos virarem passas
aprecie Colin Firth emergindo de um lago em uma camisa branca
se você deve fazer algo
beba!
mas mantenha a classe
ponha seu vinho barato num copo
você não é um pirata!
fale sozinha
fale sozinha no espelho
no transporte público
no meio da fonte do shopping
porque há coisas que você nunca conseguiu dizer
você não precisa engoli-las
faça um tinder!
faça da sua foto de perfil um modelo e não fale com ninguém
só continue passando até que tenha L.E.R
desse jeito você pode rejeitar 50 pessoas por minuto e vai parecer como matar formigas
com barriga tanquinho
beije o máximo de pessoas que precisar pra tirar a marca dos lábios dele do seu cérebro
vá em museus
e perceba que outras coisas têm histórias também
jogue esconde-esconde com seu sono R.E.M
você não sabe qual é pior
acordar de pesadelos em que seus lados se abriram ou de sonhos com ele segurando a sua mandíbula como se significasse algo pra ele
poderia também grudar suas pálpebras na testa
porque, pelo menos, você pode mentir pra si enquanto acordada
fique acordada até 3:00, 3:30, 4:00
faça chá com as bolsas embaixo dos seus olhos
escreva!
escreva até usar cada metáfora do seu acervo
comece a usar a mesma sempre e sempre
porque há tantas maneiras de descrever estar destruído
mas uma vez que você chegar lá
isso é só a base
em seguida, colete todas as fendas da sua corrente
faça uma armadura e leve ela pra batalha
pegue o nome dele
aquele que ainda dói dizer
e use como grito de guerra
então chore de verdade
porque não há nada vergonhoso em limpar seus olhos
não se levante
não fique bem
porque desilusões não são sobre estar bem
é sobre lembrar que você estava bem antes
é sobre falar
foda-se estar bem!
é sobre pegar todos os seus pedaços
e construir pra si um castelo, porque não me importa quem você é
você é uma rainha!
é sobre falar
foda-se esse poema!
ninguém supera um coração partido
eu construi uma sala do trono
com caixas de pizza e embalagens vazias
e eu não consigo parar de chorar em cima do meu cup moodles
mas um dia
vou chorar uma fonte de juventude
vamos voltar ao começo
estou cansada de dicas de auto-ajuda
e de incentivos amigáveis
eu bebo garrafas, garrafas e garrafas
fingindo que suas bocas pertencem a outra pessoa
mas cansei de sentir pena de mim mesma
porque se desculpar por amar até explodir-se?
minha capacidade de sentir não precisa de perdão
meu coração não precisa de reparo
eu não estou despedaçada
eu só estou um pouco mais
explosiva!

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XERO!

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Ei, eu estava viva

eu podia ouvir as batidas do meu coração golpear meus ouvidos, minha cabeça… e os instantes que se seguiram foram de alguma coisa agridoce sobre a minha língua, eu encontrei no peso da vida um bocado de incertezas e certezas, comecei a me assistir despedaçando no ar e virando cinzas de um passado que precisava morrer. e a vida fica se fazendo de imatura e me cutuca dizendo “ei, é pra crescer, viu?” ela diz que eu tenho que ser forte e berra comigo “mais uma vez! mais uma vez!”, quantas vezes mais?
ontem e hoje muito provavelmente você ainda passou pela minha cabeça, inevitavelmente eu pensei sobre o que te tornou tão especial pra mim e ainda parece uma piada sobre mim mesma, eu apenas dou um riso triste. melhor colocar pra debaixo do tapete. você quis ir mais uma vez. já deu.
algumas coisas precisam ser trocadas de lugares, alguns medos precisam ser domados, eu preciso sim crescer e crescer requer uma porrada de sacrifícios.
deixar doer, se permitir sentir e tantas coisas mais sobre estar viva, não é algo que dê pra evitar e nem algo pra querer se desculpar. por que a gente tem a mania miserável de se culpar pelo sentir? e isso não é assim tão nobre e muito menos justo.
deixa ser, seja explosiva e seja infinita. dane-se as convenções e dane-se as imposições que lhe são colocadas, a vida é bem mais que isso.
ontem eu amadureci um pouquinho mais e hoje mais que ontem, e eu disse “ei, moça, pra quê isso?” e enquanto assistia a uma série de tv me permiti um paralelo à minha vida e assim como Daenerys eu digo dracarys e deixo queimar aquilo que não vai me servir e assim também como Samuwell, eu me recuso a sentar e assistir os outros serem melhores, eu também sou. você também é.
então corra, vá em frente e pense em você, vá em frente e não se diminua pra caber nas expectativas alheias, caiba nas suas, viva as suas.
eu podia ouvir os pássaros cantando pela manhã na minha janela, eu estava viva.

eu podia ouvir os carros e as casas acordando na cidade, eu estava viva.
eu podia ouvir a musica lá no fundo tocando, o rádio ligado e as notícias chegando, eu estava viva.
eu podia ouvir as batidas do meu coração golpear meus ouvidos. ei, eu estou viva e você?

O casamento- Antonio Prata

Dia desses eu recitei um trechinho dessa crônica no stories do meu insta @maby_ferr (quem me acompanha por lá ouviu), hoje resolvi mostra-la completa aqui. Aproveitem.

“Quando o Cassiano me chamou pra falar aqui, na cerimônia, eu lembrei do dia que a gente se conheceu, na fazenda de uns amigos dos nossos pais. Ele devia ter uns oito, nove anos. Tinha um cabelo cuia, loiro, e andava pra lá e pra cá com um tecladinho Casio debaixo do braço: era uma versão um pouquinho mais moderna do Schroeder, aquele personagem do Snoopy. Mas o que eu mais lembro daquela viagem não é da dupla Cassi & Casio. É de uma noite na salona da fazenda, quando o Alexandre (seu pai) chamou ele no meio dos adultos e perguntou:

– Cassiano, qual foi o único conselho que eu te dei, nessa vida?

E o garotinho de cabelo cuia, que já devia tar acostumado a responder àquela pergunta pôs a mão à frente, assim, num gesto teatral, e disse:

– Seja louco, meu filho!

Ainda bem que um dos primeiros mandamentos dos filhos é frustrar as expectativas dos pais, e quando eu comecei e ler os textos do Cassi na Folha, eu pensei: xi, o Alexandre deve tá desapontado! Mas só há pouco mais de um ano eu tive certeza que o meu amigo ia mesmo ignorar o único conselho paterno. Foi quando ele me apresentou a Carol e disse, essa é a minha namorada. Ali eu saquei: ele tava no caminho certo. Ela é linda, gente fina, inteligente, a família dela faz goiabada, o que mais que um homem pode querer?

De louco portanto, o Cassiano não tinha nada. Ou… Será que tinha? Enquanto eu escrevia esse texto, fiquei pensando naquela cena da fazenda, lá por 1983, pensei na geração dos nossos pais e na nossa e comecei a achar que talvez eu tivesse errado. Que talvez, pra quem nasceu nos anos setenta, filho da geração que foi hippie, que morou em comunidade, que queimou sutiã e o escambau, a verdadeira loucura seja essa: o casamento. A gente não foi criado pro compromisso, nem pra doação. Somos uma bola dividida entre os hippies e os yuppies: de um lado, o discurso libertário, do outro, o individualismo.

Não é à toa que hoje em dia, quando se fala em amor, os versos que mais surjam sejam os últimos do soneto da Fidelidade, do Vinícius: “Que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. São versos lindos, claro, mas eu sempre achei que evocar eles no começo de uma relação envolve 50% de lirismo e 50% de picaretagem. Como assim, “que não seja eterno?” Se você ama, a primeira coisa que deseja é que seja pra sempre, não? Pra que abrir a porta de entrada já de olho na porta da saída? Eu também implico com o “posto que é chama”. A chama é algo que nos queima, é ela o agente da ação, nós somos o objeto, a lenha. Longe de mim remendar o Vinícius, mas acho, ou na verdade, espero, que a gente tenha um papel um pouquinho mais ativo numa relação amorosa. Que possa alimentar essa chama, botar mais lenha na fogueira, abanar o fogo. Por isso sempre achei que a parte mais bonita do Soneto da Fidelidade não é o final, mas o começo: “De tudo ao meu amor serei atento, antes.” Essa máxima devia tá colada nos vidros dos carros, nos espelhos dos banheiros, devia tá escrita nas faixas dos caminhões, o ministério da saúde tinha que mandar imprimir nos maços de cigarro e os chineses deveriam incluir nos biscoitos da sorte: “De tudo ao meu amor serei atento antes”. Antes do trabalho, antes dos compromissos sociais, antes do dinheiro, do sucesso e de todas as outras imposições egoístas da nossa época, o amor. Essa é a verdadeira loucura. Por isso que, terminando, eu desejo a vocês a mesma coisa que o Alexandre desejava pro Cassiano, lá por 83: sejam loucos, meus amigos!

De tudo, ao amor de vocês sejam atentos antes e façam o que tiver ao alcance pra serem felizes para sempre! O senhor já pode beijar a noiva”

Eu sou oceano

 

Hoje eu acordei sorrindo pro dia e me peguei colorindo aquele livro antigo.
Sentei pra apreciar o café e vi que não me sinto só, hoje eu pensei em várias coisas que me fazem sentir viva. E ouso a cantar desafinado só por cantar, ouso a sorrir descontrolada e é a melhor gargalhada que eu poderia dar.
O sol nem aparece lá fora, mas me sinto quentinha aqui dentro. Meu coração incendeia. Plantei girassóis no meu jardim, pendurei minhas magoas no varal e esperarei o sol chegar pra que elas sequem, mas meu palpite é que elas já secaram.
Não há nada de mal em deixar doer um pouquinho, depois a gente renasce. Cresce. Aprende.
Reassisti videos antigos, me emocionei com o final da minha série favorita, desenhei a antiga London sobre uma A4 amarrotada, esperei o tempo e ele veio, meio apressado meio devagarinho. Sugiro que as maçãs avermelhadas fiquem sobre minha mesa pra me dizer o quanto sou uma boa pessoa porque as vezes a gente precisa de recompensa, mas eu também erro. Erro feio. Só que hoje eu me sinto tão leve, não há mais nada que possa mudar isso.
É engraçado como as coisas acontecem exatamente quando tem que acontecer, isso soa tão familiar. Havia dias em que eu pensei que nada mais poderia ter sentido algum, mas olha agora. Olha pra mim. Colori meu preto e branco.
Mapeei os segredos do meu coração, desvendei os mistérios que a vida me trouxe e me perdi na incrível sensação que o mundo é o meu oceano, eu sou oceano, minhas profundezas são indiscutíveis e as águas paradas te dizem isso, me dizem isso. E entre mel e analgésicos, entre o sentir e o deixar eu só peço, peço bem alto, obrigada.

Eu quero que você entenda

Em algum momento você vai entender que de nada adianta se esticar tanto pra caber num espaço que não é pra você, onde você não é bem-vindo. você vai entender que a vida é meio estranha, meio bizarra e que os pólos se divergem entre si. e você irá olhar a imensidão das estrelas, dos oceanos e do seu próprio eu e entenderá que não bastam migalhas, você não merece isso.
eu quero que você entenda que bom mesmo é se vestir de amor-próprio e só assim encontrar alguém que te transborde. eu quero que você perceba que só vale entregar seu amor para alguém que mereça. e que você possa repousar sua cabeça em meu ombro, me conte suas histórias mais ridículas e seus olhos possam brilhar quando sentir-se seguro em me contar sobre seus medos, sobre seus momentos de tristeza e suas alegrias. eu quero sentir ciúmes das pessoas que estiveram nos seus melhores momentos, mas melhor que isso, quero criar novos momentos com você.
em algum momento você vai entender que o mundo é uma roda-gigante, um temporal e um arco-íris nascendo após ele. você vai rir, chorar e sentir falta. vai tropeçar em vários capítulos truculentos pensando em desistir, mas vai ver no sol da manhã seguinte que o mundo te espera.
em algum momento seus pulmões irão implorar para que você respire e isso irá te causar danos e aprendizados, só não perca sua sensibilidade. nunca.
quero que você saiba que dar certo é muito subjetivo. que as pessoas deixam pedaços de si na gente e a gente carrega esses pedaços por onde for, mesmo que não exista nada além da ausência das palavras e tudo pareça ecoar no vazio. que a saudade acontece e que é inevitável, e ainda assim a gente encontra um raio de beleza nisso.
em algum momento você vai entender que o orgulho vai gritar mais alto em qualquer coração apaixonado e que esse é o nosso mundo, ninguém disposto a mudar. acredite.
mas você vai entender que em algum momento o seu certo subjetivo acontecerá… em algum momento. acredita?

 

Como poderia ter sido?

Volta e meia, me pego pensando em coisas que não deveria. porque a gente nunca aceita não saber como teria sido?
o medo de sentir uma saudade eterna, uma falta de algo, de alguém… são tantos os pensamentos que corrompem o nosso interior e vai nos definhando aos pouquinhos.
sabe aquela sensação de andar pela cidade e encontrar os mesmos rostos, gostos e dissabores? aquela sensação de temer não vivenciar experiências que julga serem essenciais? é um medo, uma insegurança boba. é verdade, às vezes a vontade que dá é de chutar o balde, se conformar, ser um eu em pedaços desabando na velocidade da luz. e então,  eu me vejo agarrando os meus óculos sobre o criado mudo, lá pela manhã, os raios de sol entrando aos pouquinhos no meu quarto e quando ouso a olhar-me no espelho, estou ali tentando mais uma vez, fazendo centenas de planos, traçando uma lista infindável de metas e pensando nas pessoas que quero sempre comigo, bem perto.
não tem como, por mais que eu nunca saiba como teria sido se a gente tivesse dado certo com todos aqueles planos que fizemos juntos e ver agora que eles se desmancharam como nuvens de algodão num céu nublado, mesmo que eu nunca saiba como teria sido se eu não tivesse rejeitado aquele emprego com tanta autonomia só pra ganhar  experiência numa empresa mais renomada, mesmo que eu nunca saiba como teria sido se eu não abandonasse meu lar para ir em busca dos meus sonhos que até agora não se concluíram, mesmo que…
são tantos os “e se?”, são tantos os “como seria?” que a gente engole da vida como uma criança pequena que não quer tomar um remédio, quer saber?
a gente sempre vai ter que abrir mão de algo, ou algo sempre vai abrir mão da gente, e ninguém pode morrer por isso, mesmo querendo. não é pra ser assim, é pra ser ousado. “toda escolha requer ousadia”, então os ‘e se?’ são mais fortes do que pensamos, atravessamos eles com a consciência de que poderia ter dado certo, mega certo, mas ousamos deixar ele lá quietinho, longe e ir atrás de outra escolha, ou do nosso destino.

As coisas ruins surgem das coisas boas

 

Outro dia eu estava parada de frente para o supermercado, tentava decidir o que levar para o jantar, naquele momento meu celular vibrou, quase tive um mini ataque cardíaco, esperava que fosse ele. esperava que fossem as suas palavras, que eu pudesse ver aquele coração vermelho com uma mensagem de boa noite, que ele me perguntasse o que eu estava fazendo e eu pudesse pedir ajuda nas compras, mesmo que distante, daí a gente ia ficar papeando a noite toda sobre todos os assuntos possíveis. eu sabia que ele era bom nisso, na verdade eu sabia que ele era bom em muitas coisas, e esse é o início das coisas ruins. mas não era ele. naquele momento eu senti um desespero, porque eu não entendia que tudo tinha chegado ao fim? e quantas vezes eu me vi nessa mesma cena, aquela entre o começo e o fim do precipício que você sabe que sempre sobrevive, mas insiste em teimar que não. quantas vezes nós temos que passar por isso até aprender que as pessoas não ficam, por mais que você esperneei e grite, por mais que você peça baixinho e chore.
a mensagem era de outro cara, aquele que você sabe que é o outro cara, mas jamais será ele. pode chamar você pra um café, pode ouvir as mesmas músicas que você, pode escrever poesia, pode gostar de cachorros, pode até fazer o mesmo curso que ele e assim parecer com ele, mas não é e você sabe que nunca será. então você fica com o coração aos tropeços, você sorri para a mensagem e responde, como em um mecanismo de auto-reconstrução você percebe que recomeçar é a única opção válida, que dá chances a novos amores é melhor do que se isolar com os fantasmas do passado, aliás já passou, não era pra ser e quando não é pra ser, não tem dedo cruzado, prece ou promessa que dê jeito.
“então o que você sugere que eu leve para o jantar, moço?”
e em um minuto, as pessoas podem tentar recomeçar. Só não vale ficar esperando o passando voltar a tona, ás vezes ele nunca volta, ou, ás vezes, ele volta quando é tarde demais.

Você não é pra mim…

O dia que eu percebi que você não era para mim, na verdade era uma madrugada, e eu não conseguia dormir, mas uma vez estava perdida entre as lágrimas que caiam e modelavam minhas bochechas quentes e cheias de sofrimento, o escuro do meu quarto não me assombrava, mas libertava as minhas dores mais profundas, aquelas que as vezes tentava fingir que não existiam, porém, sem sucesso algum. Minha cabeça estava afogada por pensamentos desordenados, e foi aí nessa bagunça que de alguma maneira eu finalmente notei que você não é para mim.

Você é o tipo de cara que parece ter saído de um desses filmes clichês americanos, eu sou apenas uma garota normal, que acaba caindo no seu campo de visão por alguma obra do destino, mas o pior que apesar de saber que você seria um problema, mesmo assim eu não usei as minhas armaduras contra você, acabei deixando-o entrar e bagunçar minha vida. Tudo no início parecia perfeito, e excitante.  E como era de se esperar, você foi embora quando eu mais precisava, mas é isso que as pessoas fazem, elas entram na sua vida, a bagunçam e vão embora sem ao menos consertar nada.

E claro isso não era novidade alguma para mim, quando se é acostumado com pessoas que apenas partem, surpreendente seria se alguém ficasse. Ficasse por querer ficar, por achar que não existe lugar melhor para estar, mas você não era essa pessoa, não, não era a pessoa esperada, era só mais um que repetia novamente uma história já antiga na minha vida.

Eu percebi que você não é para mim, porque se fosse não teria partido, não teria entrado na minha vida para despedaçar meu coração e depois partir como se tivesse feito algo certo, então eu precisava acordar e assim eu consegui me libertar, seguir em frente e quem sabe novamente repetir os mesmos erros, mas não mais vou ser a pessoa que vai continuar a se lamentar, por não ter dado certo, mas quem sabe ter dado errado, seja o certo que eu precisava para um dia achar o que procuro.

❤ Espero que gostem do textinho.

Uma carta às mulheres negras

Bom, primeiro que você deve está se perguntando: “Quem é você na fila do pão pra falar sobre a mulher negra?” “Uma branca e loira? Me poupe.” Sororidade amiga (o), sororidade. E empatia também.

Eu cresci vendo pessoas da família me ensinarem que os negros são “porcos” e que “onde tem nego, tem assalto”, que os negros são “cabelo de pixain” e que “lugar de nego é na senzala” Pasmemmmm, chocante né?

Talvez pra você, branco e heterossexual da classe média alta, isso seja engraçado. Mas, NÃO É.

Eu cresci aprendendo isso, e só eu sei o quanto a educação me fez entender aos pouquinhos quem eram os porcos nessa história, e não eram os negros.

Sou mulher, e eu sei o quanto as mulheres sofrem pra serem aceitas. Pra serem simplesmente, mulheres. Com seu espaço e sem delimitações. Imagina aí então como deve ser pra mulher negra? Aquela que ouve todos os dias que cabelo bom é liso e frases como: “você pra ser negra até que é bonita”, “É uma negra linda” ou “negras são boas pra pegar” e uma infinidade de coisas do tipo.

Forte. Eu posso imaginar como deve ser, eu que sou branca e loira já fico perguntando qual o meu problema e me achando só… Imagina vocês, mulheres negras que lutam contra o impulso de deixar de ser vocês só pra agradar os outros e ser “aceitável”, por que no fim das contas, eu sei o quanto isso deve machucar e o pior, isso nunca vai ter um fim porque a sociedade será uma eterna bosta.

Machuca por dentro cada palavra que é dita, seja ela seriamente ou em tom de brincadeira. (aliás, nem tem essa de brincadeira. Não se brinca machucando pessoas).

E eu fico puta da vida (peço licença para o palavriado haha) quando as pessoas dizem que isso é mimimi ou vitimismo. Vitimismo uma ova! As pessoas já acham que é normal fazer piadinhas e querem que engula sem dizer nada. Que é tudo drama. NÃO. NÃO É. E eu estou com vocês, por que se tem uma coisa que eu aprendi com o feminismo, foi a dar as mãos uma as outras…

Não, nós não vamos deixar passar. Não vamos engolir. Nós somos uma revolução, e se o seu pensamento continua tão debilitado, a gente sugere que você cresça.  Cresça, baby!

Mulheres negras; vocês são lindas, são únicas e eu sei que tem quem seja um doce, calmaria e poesia, assim como tem aquelas mar revolto, que é furacão e diz na lata tudo o que quer. E é assim, são as diferenças que nos tornam únicas.

A todas as mulheres negras que já foram vitimas do racismo nojento de nossa sociedade e que dia após dia lutam contra isso. Força, vocês são incríveis.

Vocês são como o céu noturno que encanta todas as noites com seus olhinhos brilhando e brilhando dia após dia. 
 
Ps. Em especial para minha prima @mayara.s.sa
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Crônica: Eu ainda…

 Eu ainda o amo!

 Que droga minha cabeça insisti em registrar essa frase…  às vezes doí só de pensar que depois de tanto tempo ainda sinto alguma coisa por ele, e isso me assusta, parece errado e nada saudável.
Mas se eu tivesse que escolher uma só pessoa para ter de novo nos meus dias, nos meus braços, esse alguém seria ele. Com todos os seus defeitos, com as suas mancadas, com o tanto que ele despedaçou o meu coração, sei que  não posso simplesmente ignorar isso.

Eu ainda ouço o som da risada dele invadir a minha mente nos domingos à noite, quando começo a me questionar sobre todas as decisões da minha vida e que por mais que eu tenha tentado, de todas as formas possíveis, imagináveis e malucas, eu ainda sei que é ele. E eu quis muito que não fosse ele, mas  é.

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Uma sexta à noite

 

E lá estava ela se olhando no enorme espelho de um pequeno banheiro de um café, era sexta à noite e a cidade parecia acalma-se aos poucos, as pessoas pareciam estar exaustas, ela estava. Sua alma estava. Ela media cada centímetro do seu pequeno corpo esguio e olhava o quanto sua face exalava cansaço, ela tinha um olhar perdido e sentia-se assim.

Mas lá estava ela tentando dar chance ao amor, seu coração tão remendado ainda bombeava e sentia, ela necessitava de sentir, algo. Ler Vinicius, ou Calvino, ou até mesmo o grande Shakespeare não a ajudava em nada, ela apenas afundava-se. Afundava-se na esperança de viver algo único, algo verdadeiro. Afundava-se em analisar-se e saber que ela não era aquela menina com uma flor pra quem o Vinicius dedicou seu singelo amor, ou mesmo a doce e impetuosa Julieta que roubou o coração de um montéquio.Ela era imperfeita, ela ria de qualquer coisa e chorava com facilidade, ela detestava abrir a boca já que dizia-se ser dona de uma voz com melodia falha, desagradável… Ela não sabia expressar seus sentimentos em voz alta, nem em gestos, mas ela sentia e sim, muito. Por que alguém iria sentir algo por uma garota assim?

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Essa montanha russa de sentimentos

 

Você mexe comigo de alguma forma, alguma forma indecifrável. Mas, eu não quero machucar-me e muito menos machuca-lo, por isso recuo. Piso no freio, desvio a curva do teu sorriso, silencio o barulho que tua voz faz. É que aqui dentro ta uma confusão, você nem imagina. E assim eu vou te perdendo mesmo sem saber se eu quero mesmo te perder. Aí de mim, medo de me arrepender. Eu quero correr atrás de você no mesmo passo. Eu quero beija-lo, gritar teu nome com esse pulmão ranzinza, quero bagunçar teu cabelo cacheado, quero te ouvir falar da tua estranha religião. Continuar lendo “Essa montanha russa de sentimentos”

Energia Cósmica

 

E eu conheço essa voz calminha que como quem não quer nada grita e rasga meu peito, tem mania de sorrir de lado e chegar mansinho. Eu conheço esse riso frouxo, que descarado se apega ao acaso, e me diz palavras turvas.

Tu que és feito de entrelinhas e tem um CD do Led Zeppelin que toca repetidamente em nossas viagens, eu adoro observá-lo recitar aqueles refrões é que dessa maneira você parece uma estrela do rock, mas só eu sei o quanto você é meio maria-mole e acho isso tão engraçado. Continuar lendo “Energia Cósmica”

Solilóquio de cada dia

Eu costumava observar as estrelas, meus pés descalços, meu coração rompido em dores. Eu tenho lutas internas, todos temos.
Alguém me olhou com desdém, e eu ouço o barulho que a noite faz. O silêncio morno que sopra. Eu derramo bebidas em meu vestido vermelho, meu batom ainda está aqui.
Minha mãe costumava dizer que eu era uma menina incomum, ela dizia que eu não era como as outras e isso a irritava.
Eu criei um mundo mágico dentro da minha cabeça, todos pensam que estou ficando louca. Bem, talvez esteja.
Ouço as rodas girarem, eu adoro esse barulho. Eu dirijo por toda a cidade procurando por nada, por tudo.

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Costumava lembrar…

 

– Dança comigo?

-Danço. – ela dizia sorrindo, era como se sua alma desse cambalhotas.

Os dois sorriam juntos e dançavam aquela melodia nostálgica, era como se eles se encaixassem perfeitamente, como se só ele conseguisse conduzir aquele coração apressado no meio da sala de um pequeno apartamento da rua das laranjeiras.

Era como se existisse uma alma de criança sempre que eles se viam, sempre que o compasso marcado encostava e deixava voar por todos os lados…

Mas, nada é eterno. Nada dura para sempre. Continuar lendo “Costumava lembrar…”

Adeus, ano velho e feliz ano novo!

 

Retirando a poeira dos móveis esperando ansiosamente a chegada dos familiares que a tempos não via, fiquei me perguntando nostalgica se aquela seria a ultima poeira de 2015 sobre os móveis do meu quarto…

Espero que eu possa soprar para bem longe qualquer vestigio de poeira,porque 2016 está próximo e eu quero um ano limpo, tão novo e com 366 telas para colorir!

Esse ano foi um ano de aprendizados, descobertas e mudanças, eu me conheci melhor e pude amadurecer como em toda primavera, não consegui realizar meus maiores sonhos, mas não é por isso que irei desistir deles, muito pelo contrário eu só percebi que o tempo passa rápido demais e que é necessário insistir, persistir e lutar, lutar e não se acomodar! Continuar lendo “Adeus, ano velho e feliz ano novo!”

Nos falta coragem

Há momentos em nossas vidas que parecem um musical fúnebre, o nó na garganta parece querer arrebentar-se em sangue para manchar todo o exterior, para que talvez alguém note, note que há algo errado aqui dentro.

É tão fácil machucar-se, às vezes parece que o melhor a se fazer é afastar-se das outras pessoas, não falar com ninguém, ser um todo completamente só. Eu gosto de acreditar em contos de fadas, em comerciais de margarina e que todo mundo tem um lado positivo. É difícil, é difícil para os sonhadores. Continuar lendo “Nos falta coragem”

Amor fogo que arde

Eu queria saber por que o amor é assim, impactante, maravilhoso,sensível, e ao mesmo tempo doloroso, irritante e incompreensível, bipolar, contraditório, que tem chero de brisa do mar, cheiro de chocolate, vontade de apertar, ou é agente que é irritante, e que torna as coisas dolorosas e incompreensivas? Vai ver somos nós mesmos que não sabemos lidar com esse sentimento tão maravilhoso e tornamos tudo tão complicado…

Aquele amor que você sente um frio na barriga, que faz a mão suar e tremer, e o coração começar a bater tão rápido e descontrolado, que parece até que vai sair pela boca, é raro, pode ter certeza.

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Amores de inverno

  Ela fechou seus olhos apertando enquanto contava até três e tentava raciocinar; como assim ela ficou com alguém por ficar? ela? logo, ela? A garota intensa quando o assunto é sentimentos, a garota que já chorou por amor não correspondido, a garota timida que odeia encontros marcados?

  Ela olhou-se no espelho enorme, se sentindo perdida e diferente, ela queria apenas sair dos 84 anos, uma data bizarra que inventará muito próxima da ultima vez que havia beijado. Ela só queria se sentir amada, ela não estava se importando com os sentimentos alheios (definitivamente não parecia “ela”) ela disse adeus ao cara apaixonado como se não houvesse acontecido nada além de um beijo. Continuar lendo “Amores de inverno”

Imita a Vida

Eu penso em como as pessoas perderam a sensibilidade, ninguém para mais para notar o simples, que na maioria das vezes é o belo.

Eu costumo pensar naquela frase clichê “A arte imita a vida.” E fico a martelar… Como assim a arte imita a vida?

É por isso que existe tanto drama no palco? Talvez, sim.

É por isso que a miséria e a opressão em leves e trabalhadas pinceladas ganham forma em um quadro? Hm…pode ser.

É por isso que ele canta sobre aquele amor que dói e parece machucar sempre mais fundo, na alma? … Quem sabe!

Afinal, a arte imita a vida.

Mas, e não seria?

É por isso que a mocinha e o mocinho ficam sempre juntos no fim?

É por isso que o universo é pincelado em uma tela, ou uma rosa…?

É por isso que ele canta aquela musica sobre ser feliz e aproveitar a vida?

Mas, nós sempre complicamos tudo… Não é mesmo?

Que bom seria se os casais que podem dar certo parassem de drama e vivessem a parte da felicidade.

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