Ei, eu estava viva

eu podia ouvir as batidas do meu coração golpear meus ouvidos, minha cabeça… e os instantes que se seguiram foram de alguma coisa agridoce sobre a minha língua, eu encontrei no peso da vida um bocado de incertezas e certezas, comecei a me assistir despedaçando no ar e virando cinzas de um passado que precisava morrer. e a vida fica se fazendo de imatura e me cutuca dizendo “ei, é pra crescer, viu?” ela diz que eu tenho que ser forte e berra comigo “mais uma vez! mais uma vez!”, quantas vezes mais?
ontem e hoje muito provavelmente você ainda passou pela minha cabeça, inevitavelmente eu pensei sobre o que te tornou tão especial pra mim e ainda parece uma piada sobre mim mesma, eu apenas dou um riso triste. melhor colocar pra debaixo do tapete. você quis ir mais uma vez. já deu.
algumas coisas precisam ser trocadas de lugares, alguns medos precisam ser domados, eu preciso sim crescer e crescer requer uma porrada de sacrifícios.
deixar doer, se permitir sentir e tantas coisas mais sobre estar viva, não é algo que dê pra evitar e nem algo pra querer se desculpar. por que a gente tem a mania miserável de se culpar pelo sentir? e isso não é assim tão nobre e muito menos justo.
deixa ser, seja explosiva e seja infinita. dane-se as convenções e dane-se as imposições que lhe são colocadas, a vida é bem mais que isso.
ontem eu amadureci um pouquinho mais e hoje mais que ontem, e eu disse “ei, moça, pra quê isso?” e enquanto assistia a uma série de tv me permiti um paralelo à minha vida e assim como Daenerys eu digo dracarys e deixo queimar aquilo que não vai me servir e assim também como Samuwell, eu me recuso a sentar e assistir os outros serem melhores, eu também sou. você também é.
então corra, vá em frente e pense em você, vá em frente e não se diminua pra caber nas expectativas alheias, caiba nas suas, viva as suas.
eu podia ouvir os pássaros cantando pela manhã na minha janela, eu estava viva.

eu podia ouvir os carros e as casas acordando na cidade, eu estava viva.
eu podia ouvir a musica lá no fundo tocando, o rádio ligado e as notícias chegando, eu estava viva.
eu podia ouvir as batidas do meu coração golpear meus ouvidos. ei, eu estou viva e você?

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