Resenha do livro: Misto quente

Charles Bukowski é apelidado carinhosamente de “velho safado” por seus fãs, com uma narrativa nua e crua, Bukowski reúne diversos romances que são verdadeiros tapas na cara. Misto quente foi um empréstimo, lembro que estava indo para o sítio e o coloquei na mala, pensei que não fosse abri-lo e logo depois pensei que não conseguisse fecha-lo.

De todos os romances do Buk que eu li, esse de longe se tornou meu favorito.
“Estávamos todos juntos nisso. Todos juntos num grande vaso de merda. Não havia escapatória. Todos desceríamos juntos com a descarga.”
Então, a história gira em torno do Henry Chinaski um personagem que aparece em outros romances do buk, em Misto quente Chinaski nos mostra uma vida “infernal”, a narrativa começa contando a infância dele, sua chegada a Los Angeles vindo da Alemanha e seus momentos de ‘high school’, onde ele é sempre o loser. É sempre o último a ser escolhido para jogar, sofre preconceito por ser alemão e nenhuma garota o dá bola, mas o garoto não se faz de coitadinho, muito pelo contrário, ele sacaneia os outros garotos assim como é sacaneado.
Em casa, o inferno continua, seu pai aparentemente lhe bate por prazer, é autoritário beirando a psicopatia e sua mãe é ignorante, conformada e por vezes eu senti como se ela fosse uma morta-viva.
Henry mostra durante boa parte da narrativa nutrir um ódio pelo pai, seu pensamento recorrente vem de Dostoiévski “quem não quer matar seu pai?”, além de martelar um “eu devo ter sido adotado”.
Bukowisk usa uma linguagem seca e objetiva, com um humor negro e a tal da ironia perceptível em quase toda a narrativa.
Atenta-se que esse não se trata de um romance clichê ou cheio de voltas, Henry Chinaski tem uma família beirando a histeria. É uma linguagem completamente “chula”? É. Você vai encontrar muito palavrão, porém muitas críticas também.
Chinaski percebe durante uma de suas aulas de inglês, quando a professora pede uma redação que a única coisa que as pessoas querem e alimentam são mentiras bonitas, “(…) era isso que eles queriam: mentiras. Mentiras maravilhosas. Era disso que precisavam. As pessoas eram idiotas, seria fácil pra mim.” então neste momento ele se encontra nos livros e na escrita, Henry Chinaski passa a ser o tipico anti-social reservado em seu quarto, com poucos amigos e sendo um durão.
Chinaski é um personagem inconformado com a forma que a sociedade se comporta, “estudar, arranjar um emprego qualquer, casar e ter filhos” e com isso ele sente como se nunca fosse ser feliz.
Misto quente consegue ser um livro trágico, cômico e sincero. É cotidiano, é real.
Talvez misto quente não seja uma leitura interessante para quem busca finais felizes, a visão aqui é de puro pessimismo e negatividade perante a vida. Mas em todo caso, fica aí a indicação, se forem ler, já adianto logo, não se assustem com o linguajá pra lá de sujo do velho safado.

Beijos ❤

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