Resenha do livro: A graça da coisa

Já deve ter acontecido com você. Você entra em uma livraria e se encanta por praticamente todos os livros, mas tá dura. É uma merda, eu sei. Aconteceu comigo mês passado, entrei na livraria e como sempre, me apaixonei. Imagina só quando um autor que você tanto gosta está por 14,99 e mesmo assim você tá dura? Mil vezes uma bosta. Aí o jeito é você entender e agir da maneira mais madura possível, escondendo aquela relíquia, colocando lá atrás, no finzinho mesmo, com a promessa que você vai voltar. É quase uma cena digna de Oscar.

Eu voltei, semana passada. E não sei se porque “Harry Potter e a criança amaldiçoada” estava ali em cima, convidando os leitores a mais uma aventura que eles já conhecem e veneram, mas curiosamente “A graça da coisa” ainda estava me esperando, no mesmo lugar. Eu? Agradeci aos outros por não terem tanto apresso por literatura nacional (baixo da minha parte,eu sei), mas agora só eu sei o quanto eles perderam de fato. Perderam, feio.

O livro reúne 82 crônicas, e a cada crônica lida eu soltava um “essa mulher é incrível”. Ora, o que esperar de alguém que começa despretensiosamente falando da vida urbana e vai evoluindo o papo pra assuntos que causam uma certa coceirinha no nosso interior? No nosso ego? No nosso eu?

Martha Medeiros nos questiona sobre o zelo, o famoso amor raso que a gente tanto ver hoje em dia. Nos questiona sobre o quanto é difícil tomar decisões, por que somos a soma delas e temos o famigerado medo de errar (mas errar é humano, né?), nos questiona sobre as amputacões auto-provocadas que temos que sofrer ao longo da vida, sobre o quanto uma viagem revigora  (com direito a referências como “Na natureza selvagem” <3), uma carta de amor ao brilhante Woody Allen, e ah, o quanto a gente se adapta ao outro quando gosta de verdade (citar Pearl Jam foi demais pro meu coração tá, Marthinha?!).

Enfim, em a graça da coisa eu me renovei. Removi uma parte de insegurança que me impedia de fazer grandes feitos, e marquei todas, eu disse t-o-d-a-s as páginas do livro. Em cada crônica lida eu aprendi uma lição, e isso vale muito. Obrigada, Martha.

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Alguns trechos:

“Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que lhe tenha faltado coragem.”

“A maioria acredita que a longetividade dos amores é atribuição do destino, ele é que tem que tomar conta. Nenhum encantamento se mantém sem uma boa supervisão. Não basta dar corda e depois cruzar os braços.”

“Só nos tornamos adultos quando perdemos o medo de errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas renúncias. Crescer é tomar decisões e depois conviver em paz com elas.”

“O amor adora se fazer de difícil”

“A independência nos torna disponíveis para viver a vida da forma que quisermos, sem precisar “negociar” nossa felicidade com ninguém. (…)  Garotas, não desistam da sua independência. Façam o que estiver ao seu alcance, seja através do trabalho ou do estudo, em busca de realização e amor-próprio.”

“Que Veneza,  Mykonos,Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrivel mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa.”

“Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue.”

“Poesia. É ela quem sempre nos salva do ridículo e dá à vida uma transcendência cada vez mais necessária.”

“A paixão é para todos, o amor é para poucos… Paixão é para ser sentida; o amor, além de sentido, precisa ser pensado. Por isso tem menos prestígio que a paixão, pois parece burocrático, um sentimento adulto demais, e quem quer deixar de ser adolescente?”

“No entanto, aos poucos fui descobrindo que mais importante do que ter coragem para aventuras de fim de semana, era ter coragem para aventuras mais definitivas, como a de mudar o rumo da minha vida se preciso fosse. (…) arriscar-se a decepções para conhecer o que existe do outro lado da vida convencional. (…) Toda escolha requer ousadia.”

“Do que se conclui: De onde muito se espera-boates,festas,bares-é que não surge nada. O amor prefere se aproximar dos distraídos.”

“Viajar é sair em busca dos nossos pedaços para integralizar o que costuma ficar incompleto no dia a dia.” 

“Puro blá blá blá, pois na hora em que a paixão se apresenta, nossos gostos se adaptam rapidinho, e a gente se pega dançando forró quando queria mesmo era estar num show do Pearl Jam.”

Ah, chega né? Vão comprar o livro! Hahah beijos.

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