Solilóquio de cada dia

Eu costumava observar as estrelas, meus pés descalços, meu coração rompido em dores. Eu tenho lutas internas, todos temos.
Alguém me olhou com desdém, e eu ouço o barulho que a noite faz. O silêncio morno que sopra. Eu derramo bebidas em meu vestido vermelho, meu batom ainda está aqui.
Minha mãe costumava dizer que eu era uma menina incomum, ela dizia que eu não era como as outras e isso a irritava.
Eu criei um mundo mágico dentro da minha cabeça, todos pensam que estou ficando louca. Bem, talvez esteja.
Ouço as rodas girarem, eu adoro esse barulho. Eu dirijo por toda a cidade procurando por nada, por tudo.

Eu me encontro em mim mesma, às vezes me perco.
Quero gritar. Quero amar. Quero sentir.
Abro as janelas e o vento frio bate em minha pele, meus maiores medos se vão.
Eu costumava pensar que a vida de nada valia, vivemos como porcos em corda bamba. Nada faz sentido.
Eu penso em teus olhos castanhos. Em teus olhos a
zuis. Em teus olhos negros. Eu penso…
Eu penso em como eu nunca fui amada. Não, nunca fui suficiente. Eu queria ser amada tanto tanto mais tanto, eu confundia as pessoas comigo. Elas não eram eu. Eu era estupida. A criatura mais estupida. A coisa mais estupida.
Queria transformar minha vida em uma obra de arte, em uma festa nobre. Em uma festa pobre. Em uma manifestação.
Queria, ah, eu sempre quero coisas.
Um milhão de estrelas me assistiam implorar durante as noites.
Eu queria, liberdade.
Minha alma estava presa.
Presa, as correntes me machucavam…
Ei, eu apenas fujo.
Quão estranha eu sou?
Apenas, liberdade.

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