Amores de inverno

  Ela fechou seus olhos apertando enquanto contava até três e tentava raciocinar; como assim ela ficou com alguém por ficar? ela? logo, ela? A garota intensa quando o assunto é sentimentos, a garota que já chorou por amor não correspondido, a garota timida que odeia encontros marcados?

  Ela olhou-se no espelho enorme, se sentindo perdida e diferente, ela queria apenas sair dos 84 anos, uma data bizarra que inventará muito próxima da ultima vez que havia beijado. Ela só queria se sentir amada, ela não estava se importando com os sentimentos alheios (definitivamente não parecia “ela”) ela disse adeus ao cara apaixonado como se não houvesse acontecido nada além de um beijo.

   O frio do inverno pareceu congelar seu coração, talvez ela apenas estivesse cansada das desilusões ou cansada de tantos vazios, a madrugada chegou e ao invés de dormir, ela viajou. Era uma viagem com a galera da universidade de música.

   Já era sábado, era um novo dia, um novo lugar e ela já nem se lembrava mais do dia anterior, ela queria era emoção, aventura, paixão! Coisa que lhe faltava há tempos!

   E ela curiosamente conseguiu…

   Não era segredo pra ninguém que a conhecia que ela amava as coisas que aconteciam por acaso, sem ela imaginar ou planejar. Ela sempre gostou de ser surpreendida.

   Estava chovendo quando ele lhe pediu uma carona no guarda-chuva, ela hesitou sem ao menos olha-lo, mas ele insistiu e ela acabou cedendo.

    Eles caminharam em silêncio por um curto período até ela tomar coragem de perguntar o seu nome e então, eles conversaram. Sua mão foi parar na cintura dela, seus olhos nos dela e sorrisos apareceram.

   A chuva cessou, mas o ônibus daquele ponto não apareceu. Ele sumiu por alguns instantes e ela sentiu-se traída, ele havia usado aquele sorriso sedutor, pensou.

   Ela queria mais!

 

-Lana, vem me abraçar? Está frio!- ele gritou do outro lado da rua, seu cabelo desgrenhado e um jeito meio moleque em um corpo sedutor, vestido em um traje social.

   

    Ela não foi. Ela não foi por insegurança, por medo ou vergonha, mas ela não foi.

   Virou o rosto para todos os lados da rua tentando compreender a vida, as outras pessoas, ela mesma.

   Uma àrvore sem folhas, um gato perdido andando pelas ferragens do muro, um grupo de jovens tomando vinho sentados na calçada regada pela chuva tentando se aquecerem ou quem sabe realizando nostalgias com a brisa fria que o inverno trás.

Ela suspirou;

– Por quê eu sou assim?- sussurrou pra si mesma.

   O ônibus chegou e seus passos perdidos direcionará até a porta, ela já havia se acostumado com a ideia de nunca mais vê-lo, afinal, ela estava acostumada com coisas assim.

Pelos corredores escuros uma mão a puxou, como assim?

-Sente-se comigo? – ele a convidou, pendindo com um sorriso rebelde.

  Novamente ela hesitou sem entender olhando para os assentos praticamente lotados do fim, que mania miserável! Mas, novamente ela cedeu, ela precisava ceder porque ceder significava tentar, tentar pelo menos não se arrepender.

  Ele a envolveu nos seus braços fortes aproveitando a sensação térmica e sem delongas ele a beijou.

Um beijo leve, um beijo violento, um beijo frio e quente.

  Era disso que ela precisava, alguém que conseguisse arrancar algum sentimento dela, nem que fosse passageiro. Ela queria aquelas mãos nos seus cabelos puxando pra mais perto, aquelas mordidas na orelha e aquele beijo terno, era paixão de inverno.

  Paixão no inverno, uma paixão que fica como coleção no album da mémoria, com um adeus não tão ruim assim…engana-se quem pensa que amores relâmpagos são apenas amores de verão.

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